Presidente do SINPOL-TO se manifesta sobre votação de vetos no Congresso

31/05/2024 31/05/2024 16:04 128 visualizações

Presidente do SINPOL-TO se manifesta sobre votação de vetos no Congresso  

 

Uma luta de todos não pode sucumbir a um acordo unilateral, atabalhoado e estúpido. Mas aconteceu.   

 

Não vou aqui me ater em contar o histórico da luta por uma Lei Nacional para os Policiais Civis do Brasil, mesmo porque, minha base conhece essa luta. Ela esteve em todas as etapas por meio de seus representantes.  

 

Acredito que a liderança as vezes é solitária e decisões importantes, muitas vezes, precisam ser tomadas com o objetivo de alcançar resultados para a categoria representada - e nem sempre há tempo para deliberações coletivas. Mas existem regras importantes que devem ser observadas e uma é inegociável: Não se sobreponha às decisões coletivas já tomadas.  

 

E não importa o resultado proveniente disso. A deliberação coletiva é soberana e um refúgio para os resultados ruins, mesmo que um ou outro te acusem de incompetência. Esse é o ônus da liderança e se você não está apto a assumi-lo, está no lugar errado.   

 

Após os vetos do Presidente Lula ao texto da Lei Orgânica Nacional iniciamos um trabalho de convencimento dos parlamentares federais para a derrubada dos vetos. Tínhamos a nosso favor uma aprovação unânime no Congresso Nacional com consenso inclusive da base governista e do próprio Governo Federal, uma oposição disposta a levar até o final nossa luta e uma base incomodada em votar contra os vetos à lei que eles mesmo aprovaram.   

 

Claro que este cenário não era suficiente para garantir uma vitória, mas era muito mais do que o que acumulamos nestes mais de 30 anos de luta por uma lei nacional para nossa categoria. Não nos dava segurança, mas, sinceramente, quando foi que a luta classista trouxe garantias de alguma forma que não seja pela luta? Nunca!! 

 

Estou no movimento sindical há algum tempo para entender que não há caminhos fáceis para o que se busca. Nesta trajetória, muitas foram as vitórias e muitas as derrotas, e não há conforto nesta caminhada, apenas um esforço homérico para que a minha palavra e as minhas decisões sejam balizadas no interesse coletivo – se não o da unanimidade, sempre o da maioria.  

 

A luta era para a derrubada de todos os vetos, mas um acordo que representa a covardia e beira a estupidez (para ser bem eufêmico) nos colocou no campo dos derrotados, pois nada do que foi derrubado dos vetos condiz de forma enfática pelo que lutávamos, e nem de longe representa o que havíamos deliberado.  

 

Os recursos de minha categoria são geridos com responsabilidade e com a máxima competência possível, ou seja: utilizamos cada centavo com o objetivo de promover o que é bom para as pessoas que representamos, seja na promoção de serviços ou no financiamento da boa luta. 

 

Investimos tempo precioso e recursos consideráveis para garantir a boa representação em Brasília na luta pela Lei Orgânica Nacional e a sensação é que fomos prejudicados de forma grotesca, irresponsável, beirando a maldade deliberada ou, no mínimo, a incompetência desavergonhada.     

 

O ACORDO 

 

Um vídeo com o Líder do Governo, Randolfe Rodrigues, um representante da COBRAPOL e três representantes dos delegados, sendo um líder classista e dois outros parlamentares “selou” a rasteira nos Policiais Civis do Brasil com o “compromisso” do Senador governista de discutir outros pontos no futuro.  

 

Sabemos por quem a categoria dos delegados luta, e nunca foi por nós. Nem no Tocantins, nem em nenhum outro local do país, e diria do mundo, caso existisse tal cargo em outra nação. Estávamos fragilizados desde o início desta discussão às escuras, e fomos expostos de maneira vil em um vídeo que não fala por nós, mas nos calou na luta pela derrubada dos vetos e perdemos por muito pouco. Na verdade, não perdemos para Lula nem para o Congresso, perdemos para algo que não deveria existir em nossa representação nacional: um acordo sem consenso e sem deliberação.  

 

Com certeza, considerando o interesse dos policiais civis do Tocantins, os quais me escolheram para falar por eles nas discussões nacionais e posto que ocupo ao manter a filiação de nosso SINPOL-TO junto à COBRAPOL, não tenho dúvidas que preferiria lutar por tudo e terminar com nada do que renunciar a tudo por um punhado de dispositivos que nem de longe atendem aos interesses mais caros dos homens e mulheres que representamos.  

 

OS VETOS DERRUBADOS? 

 

Garantia de licença classista remunerada (já temos reconhecida em nosso estado), auxílio saúde e indenização por cargos chefia e assessoria, ambos de caráter indenizatório, carga horária máxima de 40h com garantia de hora extra e SÓ!   

 

Claro que existe toda uma estrutura de dispositivos legais que compõem o texto da Lei Orgânica Nacional, mas a luta real e enfática se concentrava especialmente nos 38 dispositivos vetados e trocamos esta luta por cinco derrubadas e um ticket de idiota. 

 

Sim, pois acreditar que o Governo irá tratar de pautas dos policiais civis em leis complementares quando poderia ter feito isso apenas sinalizando a derrubada de vetos que ele mesmo promoveu é acreditar que somos idiotas ou ingênuos e eu posso garantir que o Policial Civil menos informado que existe é capaz de rir de tal estapafúrdia proposta, imagine em se tratado de líderes sindicais destes trabalhadores.   

 

E AGORA? 

 

Viverei o luto e a indignação desta rasteira com brados altos por aqui e no congresso da COBRAPOL que acontecerá na semana que vem. Tentarei mais uma vez levar a voz da minha categoria para uma entidade que deveria ser colegiada e estou certo que terei o brado de nossa Federação, a FEIPOL-CON, ecoando junto com o nosso em Brasília.  

 

Se mais uma vez nossa voz for abafada pelo som da covardia da maioria diante de fatos tão vexatórios e estarrecedores, entenderei que nossa luta nacional deverá caminhar apenas com nossa Federação que, mesmo nas derrotas esteve conosco com as decisões coletivas, sem assumir o papel ditatorial, pois, como nós, conhece a solidão e a responsabilidade da liderança, mas sempre atuando em prol dos interesses das pessoas que representamos.